O jornal «Público» abre hoje a sua edição com o espectro da escassez de alimentos que ameaça, em todo o mundo, mas principalmente em África, Ásia e AméricaLatina, milhões de pobres, talvez perto de um bilião.
Os números são impressionantes, mas, acima de tudo, muito preocupantes. De acordo com o "Programa Alimentar Mundial" da ONU, os pobres gastam 60 a 80% do seu rendimento na alimentação, enquanto os ricos apenas 10 a 20%. Isto quer dizer, em termos concretos, que quem ganha mais, gasta mais e melhor em alimentação. De facto, uma pessoa com um rendimento de 500 euros que gaste 20% na sua alimentação, dispensa nesta 100 euros, enquanto que uma pessoa que tenha um rendimento de 100 euros e gaste 80% deste na sua alimentação dispensa 80 euros, ou seja, menos - e certamente de pior qualidade - do que aquele.
Pode ainda dizer-se, por ser verdade, que cerca de 10% da humanidade passa os seus dias a pensar como se há-de «fartar de tudo», enquanto os restantes 90% passa os dias da sua vida a pensar em como satisfazer as suas necessidades mais básicas e de sobrevivência.
São, evidentemente, muitas as questões que estão aqui em jogo. Mas não se pense que elas se resolvem com «esmolas» aos pobres ou com mais uma «revolução» seja ela da extrema-direita ou da extrema esquerda. O problema é mais fundo e toca nas estruturas políticas e sociais e também desafia cada um de nós individualmente. É uma ilusão pensar-se que tudo será e deverá ser resolvido pelos políticos e pelas instituições globais e nacionais. É necessário, mas muuito insuficiente. O desafio coloca-se igualmente e desde já a cada um de nós. Agrade-nos ou não, a humanidade e o planeta só terão futuro se e quando cada um de nós optarmos por uma vida assente na «simplicidade de meios ( materiais) e na riqueza de objectivos»
António Assunção
domingo, 27 de abril de 2008
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