sábado, 12 de abril de 2008

Entradas de leão, saídas de sendeiro

Muito mais do que relevar o carácter de bom senso que se deve atribuir aos resultados saídos das negociações de ontem entre o Ministério da educação e a plataforma sindical, importa antes salientar a mudança quase radical por parte dos responsáveis da 5 de Outubro.
De facto, persistir nas anteriores exigências estava à vista que era um erro de todo o tamanho. Defendi sempre que um sistema exigente de avaliação dos professores não pode ser montado em cima do joelho e contra tudo e contra todos. Pela sua natureza e alguns efeitos que produzirão - como se espera - na qualidade da educação, deve ser montado em diálogo com as Escolas e com os professores - afinal, qualquer sistema de avaliação, mesmo o que se faz nas empresas privadas, é feito com a particiapçaõ dos profissionais - e ser preparado com tempo. Não era issso que pretendiam os responsáveis ministeriais desde o início.
Mas, afinal, porquê esta mudança tão radical de atitude da ministra? Porquê estas saídas de sendeiro, que se seguiram às entradas de leão? Aponto duas razões: a primeira e talvez a principal, tem a ver com a absoluta falta de rumo político para a educação. A segunda, também importante, relaciona-se com o facto de dentro de mais ou menos ano e meio se realizarem eleições. Se assim for, então, a este ministério que alguns já classificam como o melhor desde o 25 de Abril, nota negativa para Maria de Lurdes Rodrigues e seus pares.
António Assunção

Sem comentários: