sábado, 9 de maio de 2009

Dos jornais...para meditar

Do Público de hoje:

O Economista Stiglitz, que foi prémio Nobel da Economia afirmou, numa conferência em Lisboa, que «A doutrina de direita sobre a forma como funciona a economia de mercado falhou completamente. Aliás, para mim, como economista, isso sempre foi apenas uma ideologia, não um produto da ciência económica».
Nada, no essencial, que não me tivesse aflorado já, várias vezes, nas minhas meditações.Mas o importante é retirar daqui todas as ilações, não apenas teóricas, mas sobretudo práticas para o futuro dos povos.
Stiglitz fez ainda outra afirmação contundente: o que houve, nos últimos anos, na vigência do neo-liberalismo selvagem, fou «uma luta de classes contra os mais pobres». Falou ainda em «depravação moral» e de «corrupção ao estilo americano», um pouco por todo o mundo.

O Público transcreve, como lhe é habitual, excertos de textos de opinião publicados em outros jornais de ontem. Assim, António Nogueira Leite, no Correio da Manhã, defende que «a sociedade civil tem a obrigação de promover organismos independentes que avaliem as políticas públicas». Está, decerto, a referir-se á necessidade incontornável de serem criados mecanismos da sociedade civil que controlem os gastos do Estado, nomeadamente em obras públicas.
A meu ver, esse controlo não deveria fazer-se apenas ao nível financeiro, mas também à oportunidade e necessidade das próprias obras públicas a levar a cabo pelo Estado. Por exemplo, sobre o TGV, o Aeroporto, etc.

Por sua vez, Fernando Sobral, escreve no Jornal de Negócios de ontem, reportando-se ao « mal português, que o «grande problema, o maior de todos, continua a ser o bloqueio central que afecta Portugal há muitos anos».
Não sei se interpreto correctamente o pensamento de Fernando Sobral, tanto mais que não li o texto integralmente. Mas, considero que um dos bloqueios principais que existe na sociedade portuguesa é a anomia e a passividade da sociedade civil. Isto diz respeito a todos e a cada um de nós. Resta ver de que forma sair desta situação. A aposta forte na acção cultural, a todos os níveis da sociedade, é a via fundamental.

Leituras: neste momento, além das leituras indispensáveis para o Volume III do meu livro, estou a ler Razão e Império e Trabalho- Um valor em Vias de Extinção. Só aparentemente é que estes dois livros não se complementam um ao outro. Em Razão e Império trata-se de uma abordagem demolidora da chamada Razão Ocidental e não só, mas também da História da dominação imperial fundamentada na Verdade Transcendental e Absoluta. A Ciência Moderna, tal como a própria Filosofia Moderna - e também a grega com o Platonismo - assentam, nos seus fundamentos, na dominação: dominação da natureza e do Homem.
E o próprio Trabalho, tal como o conhecemos nas nossas sociedades, sendo fruto da Ciência e da Filosofia Modernas, mais não será do que uma forma de dominação da Natureza e do próprio Homem.
Duas leituras indissociáveis.

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