segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eleições... dia seguinte

Ontem houve eleições para o Parlamento Europeu. Em Portugal e em todo o espaço da União Europeia. Em Portugal, dizem os jornais de hoje, para além da vitória relativa do PSD, da derrota, concomitante, do PS e da continuação da subida do Bloco de Esquerda, o nível da abstenção rondou os 63%, acima de 2004, quando a abastenção do eleitorado chegou aos 61.25%.
Já no que se refere ao panorama global europeu, é Teresa de Sousa que, no seu artigo de opinião «Direita ganha mas Europa perde», nos diz que a Europa foi também «um grande derrotado das eleições europeias». E porquê? Responde aquela jornalista que tal se deveu em boa medida por o tema «Europa» ter estado ausente da campanha, mas também «porque uma maioria de eleitores decidiu não votar».
Mas Teresa de Sousa vai mais fundo ao afirmar que nestas eleições europeias estava em jogo, entre muitas outras coisas, «o desencanto crescente dos eleitores com a Europa e com as elites políticas que os governam».
Venceu o chamado «centro-direita na Europa. mas, a meu ver, o que deveria merecer a profunda reflexão dos europeus, dos cidadãos, dos intelectuais e dos políticos, é esse tal «desencanto» evidenciado de forma crescente pelos cidadãos europeus não apenas com os rumos da «União» mas, muito principalmente, com a «elites» governantes.
Trata-se de um tema recorrente para os observadores e comentadores políticos o tal «desencanto» com os mpolíticos. No entanto, a verdade é que não se vê ninguém a procurar, pela reflexão e pelo debate, as razões mais profundas desta crise de confiança dos cidadãos na «política» e nos políticos.
O que se estará a passar, de facto neste campo? Assistiremos, acaso, a um mero fenómeno conjuntural, associado à crise económica e social que ataca a Europa e todo o Mundo? Ou o mal é muito mais profundo e, digamo-lo sem receio, existe o medo de o diagnosticar em todas as suas vertentes, ponto de partida indispensável para encontrar os remédios?
A título de modesto contributo para o debate desta matéria, questionaria se não estaremos a testemunhar uma crise profundíssima de cariz civilizacional - como tanto gosta de referir o dr. Mário Soares, que, no entanto, não nos diz mais do que isso mesmo - a qual, atingindo sistemicamente a configuração das formações sociais, vai mais fundo, tocando gravemente na questão chamada «ambiental» ( que, por sua vez, vai obrigar a rever as relações fundamentais entre o Homem e os outros seres vivos do Planeta) e, muito profundamente, na questão de fundo da «Política» e do seu estatuto de instância eminentemente relacional-hu
mana, como a única capaz de dar sentido à vida dos povos. Por outras palavras, não será que esta «crise da política» e o «desencanto» com os políticos não é o reflexo, enfim, do seu definhamento acentuado, levando consigo à emergência desse «monstro» que é a existência de uma «classe política» e à redução dos homens e das mulheres ao seu único papel de PRODUTORES E CONSUMIDORES?

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