quarta-feira, 29 de abril de 2009

Contributos para o Futuro/Presente

Apenas de forma avulsa, sem preocupações de método expositivo formal e sem qualquer propósito de sistematicidade, diria que considero indispensável, na configuração de uma alternativa que sustente o Planeta - a nossa Casa Comum - e a Humanidade - a Família Humana - levar em linha de conta:

- o factor ecológico nas suas diversas e conexas vertentes;

- a garantia de que toda a população da Terra terá assegurada a sua sustentação vital, condição indispensável para que cada ser humano possa realizar na plenitude as potências do seu ser;

- uma economia assente basicamente em três pilares: um sector privado; um sector público, um sector comum e um sector social (economia social). Estes sectores económicos deverão ter em comum os dois factores anteriormente focados (questão ecológica e sustentabilidade humana);

- recuperação da política no sentido de que esta tem de ser devolvida às pessoas, às comunidades locais e nacionais.Temos de acabar com essa coisa monstruosa da chamada «classe política», que tudo pensa, tudo decide e tudo manda. Entendo que a tão badalada «Reforma Política» tem de passar pelo fim desta verdadeira "Confiscação da Política» por uma minoria, por essa «classe política». Não vivemos apenas perante uma «confiscação do Estado»: estamos igualmente face a uma verdadeira Confiscação da política enquanto arte nobre de condução da polis;

- tudo o que está dito atrás, implica, entretanto, o repensar da importância e do peso - quase esmagador, insuportável, diria tirânico - do "trabalho" nas nossas vidas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meditação do dia...

Ocorre que estamos a desistir...Mas não podemos!
Se o termo «compromisso» ainda tem algum significado, então este é o tempo do compromisso. Substantivo.
A crise global, económica, social, política e ambiental, veio, de certo modo, espantar as nossas certezas e também a crença de um progresso sem fim, prometendo os «amanhãs que cantam» da abundância, do consumismo sem limites, facilitados por demagógicas e (sabemo-lo agora) mentirosas campanhas dos «gurus» do sistema.
Vivemos um tempo que eu apelido de «espanto», para além da angústia que resulta do fim daquelas «certezas».
Mas, como dizem os filósofos, o «espanto» é o ponto de partida de todo o filosofar, que é como quem diz, de todo o «questionar». Este é o tempo do «questionar». Tudo, até aos seus fundamentos últimos. Sem medo.
Temos perante nós este desafio, que é, ao mesmo tempo, angustiante e palpitante: enfrentar o fim das certezas e perspectivas nas quais investimos as nossas vidas e os nossos sonhos ( nomeadamente o investimento que muitos de nós fizemos na chamada «sociedade da abundância»), e procurar, a partir daí, o futuro que, juntamente com os nossos filhos e toda a juventude urge construir. Se naquele «enfrentar» reside a angústia, no «procurar» está a esperança.
Na certeza de que o futuro é possível. Pelo menos.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Meditação do dia...

«Não vos preocupeis com o que haveis de comer ou com o que haveis de vestir. Reparai nas avezinhas do céu: elas não semeiam nem colhem e, no entanto, o vosso pai celestial alimenta-as. Vêde os lírios do campo: não fiam nem tecem; e no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu tão bem como qualquer deles... Cuidai, portanto, em primeiro lugar, das coisas do Reino e o resto vos será dado por acréscimo».
Esta parábola de Jesus pode assumir o significado que cada um lhe quiser atribuir. Porém, interpreto-a como um valor seguro para o nosso tempo. Com a grave crise ambiental, os problemas energéticos e o esgotamento dos recursos da Terra, urge vivermos segundo outro paradigma de vida, assente em princípios e valores espirituais, os quais deverão ser prioritários nas nossas opções. Não se trata nem de não trabalhar, de produzir, nem, muito menos, de optar pela carência. Do que se trata é de opções pessoais de vida orientadas pela simplicidade de meios e pela riqueza de objectivos.
Ou seja, devemos esperar, certamente, por profundas transformações económicas, sociais e até políticas - são, a meu ver, incontornáveis, sendo que o que está na agenda da humanidade é o sentido dessas transformações. Mas é exigido a cada um individualmente um esforço de transformação pessoal, no sentido da tal simplicidade de meios com riqueza de objectivos.

domingo, 27 de julho de 2008

Meditação do dia...

O futuro da Terra e da Humanidade vai implicar que cada vez mais se aliem dialecticamente as mudanças no plano individual e no plano global - local, nacional e mundial. Esperar por mudanças estruturais, tomadas a diversos níveis ( ambiental, económico, social...) como as únicas susceptíveis de trazerem mudanças fortes no mundo, é uma ilusão se, concomitantemente, não forem acompanhadas de autênticas mudanças ao nível de cada um de nós, no plano pessoal. Tudo leva a crer que, desde já e cada vez mais no futuro próximo, a humanidade, para sobreviver e com ela a diversidade dos outros seres que a acompanham - não sobreviverá a humanidade se não sobreviverem todos os outros seres ( minerais, vegetais e animais ) - não pode manter os estilos de vida consumistas a que se permite uma parte ínfima dos seus membros. Enquanto se esperam mudanças de fundo nas opções globais, exige-se uma redefinição voluntária e assumida das prioridades individuais. Parece-me que o lema deverá ser viver «com simplicidade de meios e uma riqueza ampla de objectivos».

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O petróleo da Guiné Equatorial...

É previsível que a Guiné Equatorial, pequeno mas, pelos vistos, rico país da África Equatorial, se venha a tornar, a breve trecho, o país da moda em todo o ocidente democrático, beneficiando do beneplácito diplomático e político de Portugal, via CPLP.
Trata-se, de acordo com a imprensa nacional e internacional, de um regime totalitário, de meio milhão de habitantes, que não sabem o que são direitos humanos, dignidade humana, ou o que seja um livro ou uma biblioteca. Teodoro Obiang é o chefe e senhor todo-poderoso deste pobre país.
Pobre, mas rico em petróleo e gás natural. E isso, para Portugal e para os EUA e suas petrolíferas é quanto basta. Não para a Espanha, cujo Rei e Primeiro-Ministro se recusaram já a receber o ditador. Portugal prefere alinhar pela "política dos interesses" e mandar às malvas os princípios e valores...Na época da «mobilização total» dos fundos da terra e do fundo humano para o "TRABALHO", perder tempo com os "irrealismos" da moral implícita nos direitos humanos seria, para os políticos que hoje nos governam, de um idealismo inconcebível. VIVA O PETRÓLEO, ABAIXO OS DIREITOS HUMANOS!

sábado, 19 de julho de 2008

Crise, comércio tradicional e ASAE

A crítica que eu faço à actuação da ASAE não visa as medidas - justas - de zelar pela qualidade, higiene e outros cuidados a ter com os produtos colocados à venda. Trata-se de uma questão de pedagogia. O que se tem feito, desde o princípio, é cortar a direito, com o pretexto justo de zelar pela qualidade dos produtos e bens. Ora, não teria sido mais correcto optar por uma política de incentivos e de apoio - que não significa dar dinheiro sem mais - aos sectores tradicionais do pequeno comércio, da gastronomia, e do artesanato, acompanhada de uma pedagogia sobre os cuidados e as regras indispensáveis ao certificado de qualidade e, obviamente, da necessária fiscalização"a posteriori" por parte da ASAE? Não foi essa a opção. Preferiu-se "atacar" desmesuradamente tudo o que era único, loja de bairro, café da esquina, etc.
Está à vista, desde há muito tempo, a decadência do chamado comércio tradicional. Não apenas por causa da ASAE, mas também pela fortíssima concorrência das chamadas "grandes superfícies". Os efeitos negativos deste fenómeno já se começam a fazer sentir e a diversos níveis. Em primeiro lugar, o acentuar dos problemas da pequena e média "classe média", á qual pertencem numerosos pequenos comerciantes, vítimas daquela concorrência. Em segundo lugar, a decadência - e o fim - destes sectores do comércio tradicional traz ainda como consequência o fim de um ancoramento de vastos sectores das populações que, em tempos de crise económica e social como a que vivemos, encontravam nas lojas e mercearias de bairro o "crédito" nas suas compras que as grandes superfícies não facultam. Por outras palavras: comprava-se agora o açúcar, o arroz e o bacalhau e ia-se pagando aos poucos. Deste modo, ia sobrevivendo o pequeno comerciante, ainda que por vezes com dificuldades e até cobrando preços algo mais elevados do os "modelos e Continentes"; e iam sobrevivendo muitos pobres ou remediados graças ao "arrimo" do merceeiro de bairro.
Mas, infelizmente, não é esta a visão dos nossos líderes políticos. Até quando?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Há lugar para a esperança?

Um dos argumentos factuais invocados pelos próceres da Globalização que temos é o de que com ela e graças a ela milhões de pessoas no mundo passaram a ser alimentadas. Haveria menos fome no mundo, portanto.
É óbvio que devemos congratular-nos com esse facto, embora sujeitando-o, através do recurso à dúvida metódica, constantemente à análise. Até porque, dados mais recentes, têm vindo a dar razão àqueles que questionam a filosofia que tem presidido ao processo da globalização em todas as suas vertentes, conduzida, praticamente, por uma organização global: a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Porém, e mantendo o reconhecimento de que é positivo e é bom que haja menos gente com fome no mundo, importa colocar uma outra questão de fundo: será que a única esperança para milhões e milhões de homens e de mulheres da nossa Humanidade consiste unicamente em nascer para comer? Haverá esperança para algo mais?