sexta-feira, 15 de abril de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
A «Geração à Rasca»
As manifestações por todo o país da juventude, no último sábado, 12 de Março, tiveram uma virtualidade que deve ser assinalada: elas revelam, por um lado, a crise profunda, total e global, em que mergulhou Portugal e que atinge, neste momento, a esmagadora maioria do povo português.
É claro que a juventude que se encontra na casa etária dos vinte-trinta anos, é a mais afetada pela crise.
Mas a principal virtualidade, embora entre outras, destas manifestações e das iniciativas que se lhe seguiram, como a criação do chamado Forum das Gerações, poderá não ser devidamente aproveitada se, para além de outros aspetos, não forem levados em linha de conta os fatores económicos.
Talvez o principal problema da juventude - e há que não esquecer também que as restantes juventudes europeias são vítimas da crise - seja a profunda crise de perspectivas e de sentido quanto ao seu futuro. E, neste aspeto, a crise é de todos. mas atinge principalmente as camadas jovens.
Por isso, o debate que parece que vai ser suscitado nas redes sociais, embora deva ser mulfacetado, não pode ignorar as causas, que são muito profundas, económicas provenientes da actual crise do sistema capitalista. Esquecer, talvez em nome do «politicamente correto» esta vertente da crise, pode corresponder a «chover no molhado».
Perguntas como: por que não há criação de novos empregos? será a intervenção do Estado a solução para este problema? Quais são atualmente as funções do Estado, isto é, da «política»?
Como se apresentam, de momento, as perspetivas quanto ao crescimento económico à dimensão de décadas? Podemos vislumbrar para o futuro imediato ou até a longo prazo, «crescimento económico» suscetível de gerar empregos massivos? Em que setores da economia tal criação de empregos se poerá verificar, não esquecendo que só crescimentos da ordem dos 3-4% poderão gerar empregos ou absorver o desemprego atual? Considerando que grande parte das empresas adotaram já nos seus processos produtivos as Novas Tecnologias da Informação, a Robótica, etc, as quais, pela sua natureza própria, dispensam mão-de-obra, de onde virão os novos empregos, justamente remunerados para quem trabalha?
No debate que se impõe, a análise histórica também não pode ser ignorada. E aqui, importaria talvez tentar perceber quais as causas da crise atual que atravessa a Europa: esta passou dos índices de crescimento elevados que tiveram lugar ao longo do período dos «Trinta Anos Gloriosos», com fortes investimentos em setores produtores de produtos de massa e, por isso mesmo, geradores de muitos empregos e bem remunerados, para uma situação que se lhe seguiu de profunda depressão e crise que desembocou na situação atual. O que se passou, então? Percebê-lo, pode não resolver os atuais problemas, mas ajuda a compreendê-los. Permanece, porém, no essencial, a questão de fundo: onde, em que setores, podemos esperar que surjam novos, muitos e remunerados - já não digo «bem remunerados» - empregos, capazes de proporcionar oportunidades de trabalho e de vida para a nossa juventude?
Repito: o debate agora aberto e já em curso, não pode ignorar estes fatores.
António Assunção
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